Senhoras e senhores, meninas e meninos, amantes e amados, e todas as variantes, prenomes, sufixos, prefixos, bem-vindos a A Morte do Artista! A inexcedível, incontornável, inabalável, inalcançável, insuperável, inabatível, entre outros íveis e áveis, revista de periodicidade eventual, que eventualmente tem sido lançada à razão de uma edição por ano.
Preparem-se porque aquilo que estão prestes a experenciar está apenas ao alcance de um pequeno grupo de privilegiados, que até pode não reunir as condições económicas das elites, mas graças à sua sorte, ousadia e bom-gosto, acaba de ganhar o Euromilhões dos consolos da alma.
Se tem este exemplar nas mãos, e por isso lê estas palavras, pode, desde já, considerar-se um felizardo. Não está perante um objeto qualquer. Logo à partida, já deve ter reparado na textura. A nossa revista não é impressa num papel vulgar, mas noutro de uma suavidade tão agradável ao tato, que noutros tempos serviria para cobrir o leito de princesas no oriente médio. A revista é concebida com a ergonomia perfeita para evitar danos nas articulações e serve mesmo sarar dores de costas, de cabeça e outras maleitas, além de ser antialérgica, sem resquícios de lactose nem glúten. Sendo a sua especialidade, como já se disse, a cura das maleitas da alma.
Entre os textos e ilustrações publicadas só encontrará a vulgaridade quem muito a procura. Os textos e publicações são breve obras maiores, tesouros com entrada direta para a posteridade. Desde os tempos do Orpheu que não se assistia a tanta genialidade por centímetro quadrado. Está é a revista que pode mudar a sua vida. Porque é a única revista no mercado que se propõe a explicar o seu sentido. E explica-o.
Todos os autores se excederam, em obras em que se ultrapassam a si próprios rumo à transcendência. Através da leitura destas páginas, desvendam-se os grandes mistérios da humanidade. Se Deus tivesse lido este número antes da criação, o mundo seria diferente, pois estas páginas foram perfumadas com o elixir da eterna juventude. E nem a banha de mil cobras balofas poderá retirar-lhe o perfume.
Depois da leitura atenta deste número, nada será como dantes. É uma nova vida que se abre e se regenera. O mundo voltará a desenhar-se em esquissos harmoniosos. As adversidades da vida ganharão um sentido poético. A Morte do Artista é o atalho mais curto para a felicidade plena e o cumprimento de todas as utopias.
Não percam, pois, esta oportunidade. A felicidade é de quem a procura. E A Morte do Artista oferece-lhe todos estes consolos da alma e do corpo em troca apenas e tão somente da mais pequena das notas em circulação no mercado, com a certeza da sua valorização a curto e médio prazo é bem superior à de qualquer obrigação bancária ou certificado de aforro. Leiam A Morte do Artista e a vida voltará a sorrir.
