I Don’t Think So – Postais


UNS E OUTROS COM OS OUTROS

Nada acontece num abrir e fechar de olhos. Tudo leva o seu tempo. O tempo que se apodera das emoções, das vontades, das necessidades de estarmos uns com os outros. Circulamos por enfadonhos dias, deslizamos nas noites de sono. Abrimos os olhos para outro dia que se apodera de novo das emoções e do resto. Os dias que passam são o tempo a correr. A medida do tempo existe para nos alinharmos civilizadamente nos enfadonhos dias. E nos outros também. Andamos controlados por nós próprios. Insistimos em ser educados e solícitos. Solidários, dizem alguns. Quando a felicidade nos surpreende tentamos catalogar o feito. Chamamos a esse encontro o que nos dá mais jeito: somos putos a desenhar destinos. Há encontros que são para a vida. Outros que não. Mandamos às urtigas a medida do tempo e apaixonamo-nos. Queremos é estar uns com os outros. Mais nada.

O André Ruivo está sempre com os olhos abertos. Atento a tudo. E percebe tudo tão bem. Uma vez mostrou ao João Eduardo Ferreira umas ideias que tinha passado para traços e cores e manchas. O João Eduardo também percebeu tudo e escreveu de carreirinha as linhas que casam com os desenhos. Às vezes não se percebe bem se não estiveram os dois a olhar para as coisas ao mesmo tempo. É que agora para ali andam às voltas. Num reboliço de intrigas, contando vidas, em relações banais, ora amargas, ora doces, mas sem análise de sociólogo. Há atracções fatais que dão em banais. E o contrário também acontece. Tudo pode acontecer por estas bandas. Estas linhas deslizam pelos veios do suporte sem direito a bocas foleiras. As bocas destes bonecos dizem o que lhes apetece com a compostura das suas origens, que são diversas. Os bonecos estão atentos porque o André é que dita as regras: linhas bem definidas. Manchas de cor visivelmente registadas como seda pura das melhores origens. E há mesmo aqui uma doçura que comove. A mim comove-me.

Eu gostava de saber desenhar tão bem como o André e de escrever tão bem como o João Eduardo. Então é que eles iam ver o que é doce.

José Teófilo Duarte


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